A história de ouvir uma música relaxante com batidas eletrônicas começou no princípio da cena eletrônica inglesa no final dos anos 80. O termo Chill Out ou Lounge surgiu originalmente para aqueles cujo fôlego ia além das horas de diversão que a noite oferece, como uma alternativa para depois das festas, quando ainda restava no corpo alguma energia para mantê-los em pé por mais algumas horas. Exatamente nessa época que começam a aparecer as atmosferas híbridas: tudo podia ser feito com o cruzamento de várias vertentes musicais. Entre elementos eletrônicos, acústicos, étnicos, desafios se faziam no momento. O conceito do “híbrido” atravessou os anos 90 com tremenda vontade e não ficou estacionado apenas no universo musical. Atravessou fronteiras que se estenderam da moda até à gastronomia.
Com o passar dos anos, a “downtempo music”, ganhou vida própria e firmou-se como mais um estilo, que pode ter tanto beats de jazz, dub, bossa nova, ao deep house, como variações do ambient, sendo hoje em dia um passaporte para o Olimpo da música contemporânea. A essa determinação de “quebrar barreiras” estabeleceu-se a “world music” com suas etnias. Uma tentativa impressionante de criar um diálogo entre todas as culturas do planeta e, portanto, minimizar preconceitos, a miséria e o achatamento cultural dessas próprias culturas: hindus, africanos, ameríndios etc. Na rasteira da “world music” (termo hoje pouquíssimo utilizado) ganhamos de quebra lições de como levar uma vida menos estressante, praticando a yoga e todos seus desdobramentos (respiração, relaxamento, meditação etc). Hoje é comum em festivais, geralmente proximos da natureza, encontrármos área de chill out reservada para desacelerar, abastecer o corpo e a mente, aflorar os sentidos para admirar a beleza do lugar, numa explosão estética e energética capaz de arrebatar, física e espiritualmente, qualquer necessidade não atendida em pistas de dança.
O Chill Out acaba representando um papel valioso, de trazer aquilo que as pistas não promovem: a experiência positiva de interagir e aproximar-se das pessoas, conhecer e trocas idéias, a harmonia, o encontro, o calor e a integração dos corpos e mentes que se movem em sintonia com as batidas, sejam cardíacas ou eletrônicas, e isso é certamente agradável e valioso. Em contrapartida, o conceito Lounge tem em sua essência a urbanidade, as grandes metrópoles, de atividades noturnas mais intensa como São Paulo, Londres ou Nova York (onde o conceito nasceu no início dos anos 60, vindo de New Orleans, cidade do jazz). O propósito de relaxar passou a ser também interpretado de forma um pouco antagônica. O lounge passa a ser também associado ao termo "warm up", já um pouco mais fiel ao pressuposto de levantar ânimos por período recorde, como uma pausa para recarregar a energia para continuar a dançar por período indeterminado e carregar a festa manhã adentro. A norma se reverte: fica proibido dormir!
A diferenciação básica entre um lounge e um chill out, vem do fato de o chill out ser normalnente uma área aberta, junto a natureza em festas e festivais, lugar para descansar, ja o lounge é um “warm up” para as “baladadinhas” (cafés) das metrópoles. Mas basicamente o conteúdo dos case de djs que interagem nestes ambientes de natureza múltipla em sua essência, é basicamente o mesmo. Se pode ouvir em um lounge/ chill out, coisas como; Leftfield Music, Deep House, Acid Jazz, DUBs, Trip-Hop, Orient Beats, Easy Listening, Bossa Nova, Ambient psicodélico, mantras entre outros ritmos e instrumentos como cítara, gaita, tabla, didgeridoo, baixo e muitos outros . Algo que orbite entre os mais refinados grooves e Downtempo music, é claro, que a química destes ambientes depende muito da sensibilidade de cada DJ, que pode fazer uma diferença significativa. Diríamos até mesmo essencial. Se você de certa forma se identificou com o espírito, ou ultimamente esta de saco cheio da pancadaria, talvez você seja um potencial adepto a produzir um lounge ou um chill out. Experiências são sempre válidas: Aproveite, convide seus amigos, feche suas cortinas e espalhe velas e almofadas pela casa, ou leve todos para seu sitio no final de semana, monte sua fogueira, faça sua seleção de músicas orgânicas e ambientes, providencie os aditivos que você julgar necessários e monte seu próprio espaço. Sintam-se livre para criar seu ambiente, dando forma a manifestações positivas, emotivas e filosóficas em caráter explícito e subliminar.
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